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5.3 Tomada de Decisão por Consentimento

Pessoas que colaboram precisam ser capazes de criar e aprimorar decisões adequadas aos seus objetivos, as quais elas podem influenciar, pelas quais elas podem ser responsáveis e sobre as quais elas podem acordar. 


Tomada de decisão por consentimento convida explicitamente as pessoas afetadas pelas decisões a considerarem propostas (ou acordos existentes) e a aprimorá-las baseado em razões pelas quais fazer o que está sendo proposto (ou continuar sem mudanças) iria prejudicar, ou negligenciar oportunidades de melhoria.


Consentimento significa "a ausência de uma razão para não fazer". 

Uma razão para não fazer algo é chamada de objeção.


Garantir a ausência de razões conhecidas para não ir em frente possibilita decisões boas o suficiente para agora e seguras o suficiente para testar que podem ser experimentadas, reavaliadas e aprimoradas ao longo do tempo.

Esse processo ajuda a equilibrar equivalência e eficácia, incluindo aqueles afetados pela decisão, às vezes através de um representante – com poder de levantar objeções - ou através de outros meios que garantam que a objeção possa ser ouvida e integrada.




Consentimento vs. Consenso


Consentimento é definido por “sem objeção”.

Não ter uma objeção é um pouco diferente de concordar. Esse espaço extra é o intervalo de tolerância. Mesmo sem concordar com uma decisão, posso tolerá-la caso não encontre uma razão pela qual seguir adiante prejudicaria o círculo ou sub-círculo na busca pelos seus objetivos. Não precisamos encontrar a sobreposição de nossas preferências para tomar uma decisão. Em vez disso, buscamos a sobreposição de nossas faixas de tolerância, o que nos dá muito mais espaço para trabalhar.










No encontro das zonas de concordância temos o consenso e no encontro das zonas de tolerância demos o consentimento. No consentimento não precisamos discutir sobre tudo até concordarmos ou desistirmos. Se não houver objeção, consentimos e, se houver uma objeção, lidamos com ela. Ao usar o processo de Tomada de Decisão por Consentimento sabemos logo quem não vê razão para não avançar com a proposta apresentada. Ao ouvir as objeções sabemos onde melhor colocar nosso tempo de discussão.


Tomada de Decisão por Consentimento aumenta o engajamento e a responsabilidade ao envolver aqueles afetados pelas decisões no processo de tomada de decisão.



Etapas


O processo de Tomada de Decisão por Consentimento tem 8 etapas:






1. Apresentação da Tensão


Leitura da tensão, geralmente pela pessoa proponente, composta por Observação + Necessidade, apresentando a escrita de:


I. Título da Tensão - rápido descritivo da tensão

II. Observação


- Situação atual - o que está acontecendo

- Efeito - o que isso causa


III. Necessidade


- Necessidade - o que é necessário para processar o que foi observado

- Impacto - qual será o impacto de atender a essa necessidade


















2. Perguntas sobre a Tensão

Verificação de que as pessoas entendem as Observações e Necessidades (tensão) aos quais a decisão atenderá (ou já atende).

Esse processo pode ocorrer até todas as pessoas tirarem suas dúvidas sobre a Tensão, com a pessoa proponente respondendo as dúvidas uma a uma. 
















3. Apresentação da Proposta

Uma Proposta de Governança é apresentada pela(s) pessoa(s) proponente(s) e / ou afinadores ao grupo – criação, revisão ou exclusão de papel, acordo(s) ou círculo – contando com data de avaliação. As propostas podem ser criadas por um indivíduo ou um grupo de afinadores. 

Co-criar propostas mais complexas (ou aquelas que afetam significativamente o grupo) pode aumentar o envolvimento e responsabilização dos membros porque as pessoas estão mais propensas a apropriarem-se de acordos dos quais participaram na elaboração.
















4. Perguntas de Entendimento

O papel de Facilitação verifica que todos entendem a proposta, tal como está escrita. Ele convida as pessoas a fazerem perguntas de entendimento, se necessário. É importante que as perguntas sejam, de fato, para trazer mais entendimento, e não opiniões “disfarçadas” de perguntas. Geralmente são perguntas iniciadas por: Eu não compreendi… Não entendi o que está sendo proposto em… etc.

Nota: Perguntas de entendimento revelam às vezes que é útil alterar ou desenvolver o texto da proposta, a fim de torná-lo mais objetivo e assertivo.











5. Colheita de Reações e Preocupações

O papel de Facilitação convida uma a uma todas as pessoas do grupo para trazer uma reação à proposta apresentada. As pessoas podem reconhecer, trazer preocupações e /ou sugestões para integração da proposta. Caso haja uma objeção, ela ainda não é apresentada. 

As Preocupações são situações antecipadas que poderiam sinalizar um possível risco. Preocupações podem revelar formas (incertas) de que uma proposta poderia ser melhorada, e elas também podem ser baseadas em ideologias de uma pessoa ou equívocos. Recomenda-se que a pessoa que trouxer a preocupação explicite em sua argumentação o efeito e impacto que a proposta trará a Organização caso seja consentida e apresente, se tiver e quiser, uma proposta ou sugestão que elimine (total ou parcial) suas preocupações. 

As Preocupações não impedem que a tensão seja processada e uma resposta acionada. Elas podem ser registadas e utilizadas para informar os critérios de avaliação futuros. 












6. Integração de  sabedoria

O papel de Facilitação convida a pessoa proponente para Integração de , uma a uma, as preocupações que surgiram. A pessoa que ocupa o papel de Guardiã(o) pode auxiliar nesse momento, listando as preocupações que surgiram. A pessoa proponente não precisa realizar a integração de todas as preocupações existentes, pois não se busca um consenso. 

Ao final das integrações, a proposta objetiva ser "boa o suficiente por agora e segura o suficiente para testar". Vale ressaltar que não é objetivo consentir propostas medíocres devido a esse princípio. Se for possível, deve-se explorar como a proposta pode ser melhorada de maneira a beneficiar mais ainda os objetivos.









7. Colheita de Objeções 

O papel de Facilitação convida todos para que, juntos, apresentam uma reação visual para a proposta, podendo ser Consentimento (“joínha” em sinal de positivo) ou Objeção (punho fechado para cima, em sinal de um presente sendo entregue ao grupo).

Se a proposta for Consentida, avançamos para Celebração.
Se a proposta apresentar uma ou mais objeção(ões), avançamos para compreensão da objeção e validação pelo papel de Facilitação.

Objeções são razões pelas quais fazer o que é proposto prejudica a organização ou se perde uma oportunidade (que pode ser entendida neste momento) de aumentar a sua eficácia. Objeções são validadas por meio de argumentos que podem ser compreendidos por todos, explicitando efeito e impacto (o dano gerado) para a Organização caso a proposta seja consentida. 

O papel de Facilitação pode validar ou invalidar a Objeção apresentada, seguindo um Teste de Objeções.

Quando a objeção é válida, o papel de Facilitação, pode ainda, Integração de  a objeção na reunião, objetivando trazer agilidade ao processo. Algumas sugestões de integração de Objeções:

- Peça à pessoa que apresentou a objeção explicitar o efeito e o impacto que trarão riscos e danos para a Organização caso a proposta seja consentida;
- Peça à pessoa para apresentar uma sugestão de integração;
- Convide um breve diálogo entre 2 ou 3 pessoas;
- Apresente uma integração e refaça a Colheita de Objeção
- Faça uma rodada com a pergunta "Como você resolveria isto?";
- Reenvie a proposta de volta para a equipe (ou indivíduo) refinar, com o suporte da pessoa que apresentou a objeção. 










8. Celebração

O papel de Facilitação anuncia a decisão e aproveita para reconhecer o fato de que um acordo foi feito. 

Dedique um tempo para reconhecer conquistas notáveis.

Os próximos passos são encaminhados pela(s) pessoa(s) proponente(s), com o zelo do papel de Guardiã(o) para que todos os encaminhamentos sejam realizadas (Ex.: Registrar Acordo ou papel no Podio), se atentando para a data de avaliação / frequência de avaliação.








Mais sobre Preocupações

Preocupações são diferentes de objeções, porque elas são baseadas em previsões ou suposições, ao invés de observações e fatos.

Preocupações são situações antecipadas que podem potencialmente prejudicar a organização ou seus objetivos. Elas podem conter novas informações não consideradas anteriormente, mas às vezes são baseados em ideologias de uma pessoa ou equívocos ao invés de baseadas em fatos reais. Preocupações podem revelar formas de melhorar um acordo.

Dependendo da disponibilidade de tempo e a cultura organizacional, uma equipe pode considerar modificar um acordo para cuidar das preocupações, bem como das objeções. Eles podem ser registrados e usados para informar a avaliação dos acordos.


Mais sobre Objeções

As organizações podem se beneficiar ao identificar e considerar novas informações que revelam ameaças, bloqueios e oportunidades de melhoria. 

Uma objeção é uma razão pela qual fazer algo causa danos ou negligencia oportunidades de melhoria. Uma objeção válida é aquela que pode ser fundamentada e compreendida pelas pessoas envolvidas dentro do contexto das observações e necessidades relativos aos seus objetivos, explicitando efeito e impacto  (o dano gerado) para a Organização. 

Uma equipe ou organização pode usar a informação revelada pelas objeções para melhorar continuamente os acordos.  Objeções revelam novas informações (sabedoria) que podem ser usadas para melhorar a eficácia de propostas, acordos, comportamentos, ações, processos e práticas.

As objeções emergem por meio de indivíduos mas pertencem à organização.

Às vezes pode não parecer claro se as razões dadas para uma determinada objeção são válidas ou não. Por isso, o papel de Facilitação pode realizar com o apoio do papel de Guardiã(o) um processo para Validação de Objeções. 


Validação de Objeções

Este passo a passo pode nos ajudar a trazer maior compreensão sobre a validação de uma Objeção. O papel de Facilitação pode recorrer a esse check-list, com o apoio do papel de Guardiã(o) durante a reunião e validar ou invalidar a Objeção apresentada. 
 

I. 

A proposta iria afetar a capacidade do seu papel, círculo e/ou sub-círculo de expressar o seu propósito?

a proposta causa mal a Organização ... 

ou

A sua preocupação é que a proposta é desnecessária, incompleta ou não alivia a tensão? (objeção inválida)

 

II. 

A proposta iria introduzir uma nova tensão se adotada?

A sua preocupação é criada pela

proposta ... 

ou

Ela já é um problema existente, mesmo sem

a adoção da proposta? (objeção inválida)

 

III.

A objeção é baseada em dados conhecidos atualmente ou é preditiva porque não poderemos nos adaptar mais tarde?

Você sabe, com fatos, que esse impacto negativo vai acontecer ... 

ou

Você está antecipando que este impacto pode ocorrer? (fazer a pergunta abaixo)

Se Antecipando...

Um impacto significativo pode acontecer antes de podermos nos adaptar …

ou

A proposta é segura o suficiente para testar, visto que podemos mudar a qualquer momento? (objeção inválida)

 

IV. 

A proposta limita o propósito ou as responsabilidades de seu papel ou sub-círculo que pertence?

A proposta iria limitar um papel e/ou sub-círculo impedindo ele de ser vivenciado ...

ou

Você está tentando ajudar outros papéis ou o

círculo em geral? (objeção inválida)



Se a objeção não for invalidada com as perguntas acima, ela provavelmente é uma objeção válida.

Válido ressaltar que esse processo de validação de uma objeção não necessariamente se aplica para Seleção de um Papel. 

Refletir sobre estas questões pode ajudar as pessoas a reconhecer, entender e explicar as objeções e a decidir se elas devem ser abordadas. Para dar apoio à equivalência e responsabilidade, todo mundo em uma organização precisa se responsabilizar por compartilhar suas objeções com aqueles responsáveis pelo domínio relacionado a elas. Não obstante, objeções podem ser adotadas conforme necessário por uma equipe ou uma organização.



Histórico

2018/07: Inserção da sessão "Consentimento vs. Consenso"
2019/03: Inserção do passo a passo "testando objeções" em "Mais sobre objeções"
2020/05: Alteração das Etapas da Tomada de Decisão por Consentimento e revisão do processo de Validação de Objeções. Ajustes gerais nos textos.